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Debate da Semana:
 
"França debate eutanásia após morte assistida de jovem tetraplégico


PARIS - A França debatia nesta sexta-feira a proibição da eutanásia, horas depois de anunciada a morte do jovem tetraplégico Vincent Humbert, que chocou e emocionou o país ao ser ajudado pela mãe a realizar seu desejo manifesto de morrer. Hubert, de 22 anos, ficou tetraplégico, quase cego e mudo num acidente de carro ocorrido em 2000. Ele morreu na manhã desta sexta-feira, dois dias depois de sua mãe, Marie Humbert, de 48 anos, ter aplicado uma overdose de sedativos em seu soro, no hospital onde ele vivia, na cidade de Berck-sur-Mer.

O caso deflagrou um debate nacional sobre a eutanásia, prática ilegal no país. Após a tragédia, pesquisas de opinião revelaram que a maioria dos franceses acredita que Marie estava certa ao tentar realizar o desejo do filho. Numa delas, 80% disseram que a lei contra a eutanásia deveria ser mudada.

O ministro de Assuntos Sociais, François Fillon, pediu mudanças na lei e disse que a mãe de Vincent podia sentir-se orgulhosa por reabrir o debate sobre o suicídio assistido. Marie chegou a ser detida por acusação de assassinato mas foi libertada e hospitalizada. Ela pode ser indiciada por homicídio culposo.

- Como integrante do governo não posso advogar a quebra da lei, mas temos que abrir um debate para modificar nossas leis, para darmos conta de situações como esta - disse Fillon à rádio France 1. - O que Marie Humbert fez não me chocou. Ela pode ficar orgulhosa de ter ajudado a abrir esse debate.

O ex-ministro da Saúde Bernar Kouchner, médico esquerdista conhecido por seu trabalho em zonas de guerra, disse que já era hora de a França agir como países onde a eutanásia é legal.

- Esse é um dos problemas mais sérios que nossa sociedade pode confrontar. A Holanda e a Bélgica o fizeram, as coisas estão avançando na Grã-Bretanha e em breve estarão em Itália e Espanha. Não quero que meu país seja o último - disse ele.

Num sinal de mudança na forma com que o país encara a eutanásia, os médicos de Humbert disseram em nota que tomaram a decisão de "limitar o tratamento ativo" dada a condição de Vincent e "o desejo que ele expressou".

Humbert, que mergulhou num coma longo por causa de um acidente de carro em 2000, planejou sua morte para coincidir com a publicação de seu livro "Peço o Direito de Morrer", que ele ditou para sua mãe usando um pequeno movimento de seu polegar direito - única parte do corpo que ele ainda conseguia mexer.

No livro, ele diz: "Estou feliz de ter causado barulho, se isso for ajudar, não a mim, mas a outros. Se minha vida destruída, minha morte, puder ajudar aqueles que, como eu, querem pedir para morrer". Humbert falava diariamente com sua mãe dobrando o polegar na palma dela, para selecionar as letras, à medida que ela lia o alfabeto em voz alta. Ele termina o livro: "Não a julguem. O que ela fez é sem dúvida a maior prova de amor que existe".
Reuters
 
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