31 de março  de 2008 -

 

Academia Sofista de Letras
 
 
Está em pleno andamento o projeto de retomada das atividades da Academia Sofista de Letras. O responsável pelo serviço é o nobre Danilo de Habsburg S. R. F. Alves, presidente do Instituto Histórico e Geográfico Sofista.
 
Por enquanto o trabalho consiste em resgatar os membros que já faziam parte da ASL, e no futuro incluir novos cidadãos.
 
Todo o mérito é de Danilo S. R. F. Alves.
 
 

A ordem de Malta

por Danilo de Habsburg-Lorena B.S.R.F. Alves

Este artigo tratará um pouco sobre a Ordem de Malta, sediada atualmente em Roma. O que guia o raciocínio à necessidade de falar sobre Malta é a sua peculiar situação como Estado. Fica difícil não comparar com a situação das micronações, verdadeiramente, Estados sem território de fato. Este artigo não procura defender o separatismo para com o país macro em que vivemos. Ele serve apenas como instrumento de reflexão. Primeiramente, um pouco da História da Ordem, depois, falaremos sobre a organização da ordem como Estado.

As Ordens militares nasceram durante a Idade Média da necessidade de propagar o cristianismo, conquistar a “Terra Santa” perdida aos bizantinos, depois aos árabes (turcos e otomanos), assim como por outros diversos motivos que poderiam ser discutidos.

A Ordem Soberana Militar Hospitaleira de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta, conhecida comumente como Ordem de Malta é uma organização católica soberana com vocação humanitária criada no século XI de nossa era por latinos que estavam em Jerusalém. A Ordem foi instalada em Jerusalém onde foi fundada, depois em Chipre, em Rodes, em Malta e em Roma (desde 1834).

A Ordem foi fundada em c. 1080 (reconhecida como Ordem Monástica em 1113 pelo papa Pascal II), em um monastério dedicado a João, o Batista. Devido à instabilidade criada na região acerca da época da Primeira Cruzada (1099) a Ordem passou a ser também uma Ordem Militar, em defesa da cristandade. Em 1130, o papa Inocêncio II atribuiu aos “Hospitaleiros” a bandeira vermelha com a cruz branca, um dos principais símbolos da Ordem.

Após a retirada cristã de Jerusalém a Ordem se instala em Chipre, em 1301, onde se encontrava o rei tutelar de Jerusalém, que não nutria muita estima pela Ordem, muito poderosa. A Ordem se reorganizou e dividiu a administração do mundo cristão em “Línguas”, sobre as quais um membro da ordem era designado a cuidar. Isso permitiu que a Ordem se fortalecesse bastante no início do século XIV.

Em 1306 o papa Clemente V permitiu que a frota da Ordem fosse armada, o que permitiu que eles conquistassem a Ilha de Rodes, e que lhes valeu o nome de Ordem de Rodes. Com isso, a Ordem se tornou uma das mais poderosas da Europa, ultrapassando a Ordem dos Templários e as nascentes ordens de Espanha e Portugal. A Ordem tinha o controle sobre o Mar Egeu. Mas concomitantemente, o Império Bizantino declinava e os reinos latinos do oriente caiam sob o Império Otomano. A Ordem também sofreu com isso. Assim, no início do século XV a Ilha foi assediada pelo sultão do Egito, porém, não foi conquistada, mas fica clara a instabilidade do mundo no momento. Instabilidade que também afetou a Ordem.

A Ilha só caiu sob mãos muçulmanas no início do século XVI, o que fez com que a Ordem não tivesse uma sede fixa e ficasse errante pela Europa (Itália e França), entre 1523 e 1530, quando então o Imperador Carlos V do Sacro Império concedeu o arquipélago de Malta para sediar a Ordem.

Malta foi sitiada pelo Império turco em 1565 e as batalhas duraram meses, mostrando o poder que a Ordem ainda tinha – ela foi ajudada por toda a cristandade durante as batalhas, em especial pela armada espanhola. Mas após esta guerra, a Ordem passou a ser o centro das atenções da Europa cristã. A maioria das grandes batalhas envolvendo soberanos europeus eram comandadas por membros da Ordem – como a famosa batalha de Lepanto, pelo Sacro Império.

Em 1792 o Governo Revolucionário francês confiscou todos os bens da Ordem (e de todas as demais ordens religiosas). Em 1793 escapou por pouco de uma revolta popular fomentada por membros da Convenção infiltrados na ilha. Em 1798, após as vitórias de Napoleão na Itália, a Ordem pede exílio ao czar Paulo I da Rússia. Ele aceita e é eleito Grão-Mestre da Ordem de Malta. Mas Paulo I era ortodoxo e casado o que gerou sérias objeções, além do não reconhecimento pelo papa Pio VI.

Após a derrota de Paulo I por Napoleão, seu sucessor no trono, Alexandre I, consciente da irregularidade, editou uma carta permitindo sua estada na Rússia sob a organização das ordens católicas, mas liberou-os para escolher um novo líder. Na impossibilidade de reunir todos os eleitores na Rússia, o papa Pio VII escolheu o novo Grão-Mestre da Ordem.

Deste modo, a Ordem se tornou, a partir de 1798, um Estado sem território. Além disso, em 1814, um tratado assinado entre Paris e Londres reconheceu a Ilha de Malta como território britânico – anglicano – o que afastou completamente a possibilidade de a Ordem retornar à ilha.

No entanto, em 1826, o papa decidiu conceder à Ordem um prédio em Ferrara, onde seria a nova sede da Ordem. E em 1834 a Ordem estava definitivamente instalada em Roma.

O Palácio do Aventino, sede da Ordem de Malta, tem estatuto de extraterritorialidade, ou seja, o palácio não responde às leis italianas, ou às do Vaticano, mas às leis próprias da Ordem, ela é um sujeito de direito internacional público, ou seja, ela possui sua própria constituição, suas próprias instituições públicas dotadas de personalidade jurídica autônoma (inclusive magistratura) e ela emite os seus passaportes e timbres e emite a sua própria moeda. Pode-se dizer que, sendo a Ordem um Estado, o Palácio é o seu único território. Constituem-se também como territórios da Ordem as Embaixadas espalhadas pelo mundo, inclusive no Brasil.

Politicamente, a Ordem constitui-se como uma monarquia-eletiva, visto que o Grão-Mestre (estatuto de rei) é eleito. O Estado possui uma carta constitucional (reformada em 1997), que vigora dentro do Palácio do Aventino e possui uns 11 mil “cidadãos” (menor que a maioria das cidades pequenas do Brasil – a título de exemplo, o município de Biritiba-Mirim-SP, que possui c. de 25 mil habitantes).

O Grão-Mestre, eleito entre os cavaleiros, é um soberano e um superior religioso. Ele preside o Conselho Soberano, composto de quatro Altos Cargos – Grande Comendador, Grande Chanceler, Grande Hospitaleiro e Recebedor do Tesouro Comum – assim como de seis outros membros eleitos por cinco anos.

A Ordem é organizada em três poderes: Legislativo (exercido pelo Grão-Mestre e pelo Conselho Soberano); Executivo (exercido pelo Conselho Soberano presidido pelo Grão-Mestre e composto por dez cavaleiros eleitos); e Judiciário (exercido pelos Tribunais de apelação do Magistério, compostos por juízes nomeados pelo Grão-Mestre e pelo Conselho Soberano).

Traz assim, o tema, uma série de assuntos interessantes ao micronacionalismo: a não existência de um território de fato, ou a existência de um território sofista dentro da casa de cada sofista. O respeito a leis sob as quais se escolheu viver (ao contrário da lei italiana, quem vive no Palácio, escolheu viver sob aquela estrutura). A existência de Estados reconhecidos internacionalmente e com típicas características de micronação. Enfim, são vários os assuntos que podem ser discutidos a partir da análise deste Estado Soberano, mas sem território.

 
 
Heráldica sofista:
O elmo
 
 
Partimos hoje para falar um pouco sobre o elmo na heráldica.
 
O elmo é a parte mais nobre de uma armadura, pois protege a cabeça do cavaleiro durante a batalha ou o combate. É um capacete feito de metal, podendo ou não ter viseira para proteger o rosto do usuário. Sua origem é remota, e é usado pelos exércitos desde a antiguidade. Obviamente sofreu alterações durante a história, e seu auge foi no final da Idade Média, e início da Idade Moderna, quando, juntamente com as armaduras, eram confeccionados sob encomenda de nobres como verdadeiras pelas de arte. O elmo caiu em desuso a partir do século XVI, principalmente por ter se tornado obsoleto como forma de proteção, depois do maior uso das armas de fogo na Europa. Mais tarde perdeu seu espaço para o capacete, mas em geral, entre os séculos XVI e XIX, a maior parte dos soldados em uma batalha não traziam qualquer proteção eficiente na cabeça. No século XX, na época da I Guerra Mundial, os capacetes ganharam espaço definitivo nos combates modernos, variando em material e forma, mas seguindo em uso até os nossos dias.
 
A heráldica traz os elmos como forma de simbolizar o papel guerreiro dos nobres, na época medieval, período em que a representação de brasões se transformou numa arte. O elmo geralmente não vem sozinho, mas acompanhado de um paquife, um virol ou uma coroa, elementos que posem aparecer sozinhos ou combinados de diversas formas.
 
Alguns brasões, no entanto, jamais trazem elmo. É o caso dos brasões eclesiásticos, que na verdade seguem uma esturura própria. Neles, o papel do elmo é assumido por um chapéu tipicamente clerical, que varia na cor e no número de borlas, dependendo de quem é representado. Há, mesmo entre os brasões eclesiásticos, um especial que não traz elmo ou chapéu: o brasão do papa, que tradicionalmente traz uma tiara (ou coroa tripla) sobre o escudo do pontífice, mas que o atual papa Bento XVI decidiu representar por uma mitra episcopal.
 
Sofia tem um padrão próprio da representação de elmos, sendo que cada categoria tem uma representação de nobreza, desde as famílias não tituladas até os arquiduques. Todos os detalhes que devem ser seguidos estão descritos no Código Nobiliárquico, cabendo ao artista gráfico demonstrar sua arte dentro do padrão estabalecido na lei.
 
Em geral o elmo traz, entre os não nobilitados, um virol (faixa de pano com duas cores entrelaçãdas) encimando o topo da cabeça. Os nobres têm direito de usar um coronel sobre qualquer brasão que tenha autorização para usar, e este coronel variará de acordo com o grau de seu título. O uso do elmo encimado por um virol e por um coronel é raro, mas tem precedente na heráldica sofista: o próprio Brasão Nacional.
 
 
 
Desvendando o CRN
 
 
Muitos sofistas têm curiosidade sobre o Conselho Real dos Nobres. Por seu caráter fechado e por ser formado pelos mais altos nobres do país, o Conselho acaba despertando a imaginação dos cidadãos sobre como funciona e o que é tratado por esse órgão. Pois bem, O Arauto deseja agora lançar alguma luz sobre esse mistério:
 
O Conselho Real dos Nobres é essencialmente um órgão que opina. O Príncipe ou o Lorde Maior abrem votação por meio de uma ODR (Ordem Deliberativa Real). Cada lorde pode emitir um voto, mas não é obrigado. Em caso de empate, o Lorde Maior emite um voto de minerva.
 
Freqüentemente as decisões tomadas pelo Conselho são apenas uma orientação ao monarca, mas em alguns momentos a participação dos membros do conselho é independente de S. A. R.. Tratados internacionais podem ser vetados pelo Conselho, então é costume que o chanceler envie qualquer projeto primeiramente aos lordes, para posteriormente, se aprovado, enviar à Assembléia de Fanes.
 
O Lorde Maior, figura que preside o Conselho, pode ser empossado de diversas formas. Normalmente é eleito pelos demais nobres, mas pode ser também indicado pessoalmente pelo príncipe - com a tácita aprovação do Conselho, do contrário poderão fazer eleição e derrubar o Lorde empossado pelo monarca. Quando o Presidente renuncia ao cargo, o Príncipe pode nomear um Lorde Maior interino, que fica no cargo até que uma eleição seja realizada.
 
A cadeira no Conselho é vitalícia, mas não hereditária. Um nobre só deixa de ser membro por morte micronacional ou se tiver seu título rebaixado ou revogado. Também a entrada no Conselho é automaticamente ligada ao título. No momento que alguém é feito marquês ou duque (desde que não fosse marquês anteriormente) recebe imediatamente sua cadeira e passa a ter o direito de assistir e votar nas ODRs.
 
O príncipe não vota no Conselho. Na verdade só tem esse direito se for membro da alta ou média nobreza, como foi o caso dos Príncipes desde a criação do Conselho, em 2004. Ainda assim, S. A. R. Casagrande I, de boa memória, e S. A. R. Lucius I não votaram ou votam nas ODRs, esperado a decisão dos conselheiros para emitir suas decisões, se assim interessar ao soberano.
 
O Conselho pode, se for de seu interesse, convidar outras pessoas a assistir as sessões. Isso já foi feito com o Chanceler e com o Arauto Real. Pode também convocar membros do Poder Moderador a prestar esclarecimentos, ou advertí-los.
 
Um dos pápéis mais importantes do Conselho é assumir a Regência do país quando o Príncipe se ausenta. Essa situação já aconteceu diversas vezes, e nesse caso só podem ser tomadas decisões urgentes, que serão emitidas como Decretos Reais.
 
Atualmente 8 sofistas compõem o Conselho, mas como têm a liberdade de freqüentar ou não as sessões nem todos comparecem com regularidade.
 
 
Abrindo as portas
 
 
Nenhuma votação foi concluída no plenário do Conselho Real dos Nobres no mês de março de 2008:
 
Lordes presentes:
Marquês de Fontainebleau - S. G. Fernando Delli - Lorde Maior
Duque de Port Hope - S. A. R. Lucius I CGCoF
Duque de Sherbrooke - S. A. Manoel Augusto S. R. F. Alves CCF
Duque de Gaspè - S. A. João Henrique S. R. F. Alves CDF
Duque de Beauvais - S. A. Valentim S. da Costa


 

O Arauto
Registro: 188.01.00.06/2006

Diretor Geral    
        S. A. R. Lucius I                       
        Príncipe Monarca de Sofia
 
Diretor de Redação:
        S. G. Valentim S. da Costa
       Duque de Beauvais
 
Produtor:
        S. A. João H. S. R. F. Alves
        Duque de Gaspè
 
Distribuição:
        Ensotel
 
Caixa postal:
 
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