O Partido Popular Sofista surge da necessidade sentida pelos sofistas de intervir na vida social e política do País para transformá-la. A mais importante lição que o povo de Sofia aprendeu em suas lutas é a de que a democracia é uma conquista que, finalmente, ou se constrói pelas suas mãos ou não virá.
A grande maioria de nossa população tem sido sempre relegada à condição de sofistas de segunda classe. Agora, as vozes do povo começam a se fazer ouvir através de suas lutas. As grandes maiorias que constroem a riqueza da Nação querem falar por si próprias. Não esperam mais que a conquista de seus interesses econômicos, sociais e políticos venha das elites dominantes. Organizam-se elas mesmas, para que a situação social e política seja a ferramenta da construção de uma sociedade que responda aos interesses dos trabalhadores e dos demais setores explorados pelo atual modelo.
Após prolongada e dura resistência democrática, a grande novidade conhecida pela sociedade sofista é a mobilização do povo para lutar por melhores condições de vida para a população. O avanço das lutas populares permitiu que os assalariados do comércio e dos serviços, funcionários públicos, trabalhadores autônomos, estudantes, e outros setores explorados puramente como votantes, pudessem se organizar para defender seus interesses, para exigir melhores salários, melhores condições de trabalho, para reclamar o atendimento dos serviços nas províncias e para comprovar a união de que são capazes.
Estas lutas levaram ao enfrentamento dos mecanismos de repressão imposto à população, em particular a não participação política. Mas tendo de enfrentar um regime organizado para afastar o trabalhador do centro de decisão política, começou a tornar-se cada vez mais claro para os movimentos populares que as suas lutas imediatas e específicas não bastam para garantir a conquista dos direitos e dos interesses do povo trabalhador.
Por isso, surgiu a proposta do Partido Popular Sofista. O PPS nasce da decisão do povo de lutar contra um sistema econômico e político que não pode resolver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados.
O Partido Popular Sofista nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para os políticos e os partidos comprometidos com a manutenção da atual ordem econômica, social e política. Nasce, portanto, da vontade de emancipação das massas populares. O povo sabe que a democracia nunca foi nem será dada de presente, mas será obra de seu próprio esforço coletivo. Por isso protestam quando, uma vez mais na História sofista, vêem os partidos sendo formados de cima para baixo, do Estado para a sociedade, dos mandantes para os mandados.
Os trabalhadores querem se organizar como força política autônoma. O PPS pretende ser uma real expressão política de todos os explorados pelo sistema em vigor. Somos um Partido para a População, não um partido para iludi-la. Queremos a política como atividade própria das massas que desejam participar, legal e legitimamente, de todas as decisões da sociedade. O PPS quer atuar não apenas nos momentos das eleições, mas, principalmente, no dia-a-dia de todos os sofistas, pois só assim será possível construir uma nova forma de democracia, cujas raízes estejam nas organizações de base da sociedade e cujas decisões sejam tomadas pelas maiorias.
Queremos, por isso mesmo, um Partido amplo e aberto a todos aqueles comprometidos com a causa popular e com o seu programa. E, como consequência, queremos construir uma estrutura interna democrática, apoiada em decisões coletivas e cuja direção e programa sejam decididos em suas bases.
Em oposição ao regime atual e ao seu modelo de desenvolvimento, que só beneficia aos privilegiados de um sistema monárquico corrompido e anti-ético, o PPS lutará pela extinção de todos os mecanismos ditatoriais que reprimem e ameaçam a maioria da sociedade. O PPS lutará por todas as liberdades civis, pelas franquias que garantem, efetivamente, os direitos dos cidadãos, e pela democratização da sociedade em todos os níveis.
Não existe liberdade onde as correntes de opinião e a criação cultural são submetidas a um clima de suspeição e controle, onde os movimentos populares são alvo permanente da repressão política e patronal, onde os burocratas e tecnocratas do Estado não são responsáveis perante a vontade popular.
O PPS afirma seu compromisso com a democracia plena e exercida diretamente pelas massas. Neste sentido proclama que sua participação em eleições e suas atividades parlamentares se subordinarão ao objetivo de organizar as massas exploradas e suas lutas.
O Partido Popular Sofista pretende que o povo decida o que fazer da riqueza produzida e dos recursos naturais do País. As riquezas naturais, que até hoje só têm servido aos interesses do grande capital político, deverão ser postas a serviço do bem-estar da coletividade. Para isto é preciso que as decisões sobre a economia se submetam aos interesses populares. Mas estes interesses não prevalecerão enquanto o poder político não expressar uma real representação popular fundada nas organizações de base para que se efetive o poder de decisão dos trabalhadores sobre a economia e os demais níveis da sociedade.
Os sofistas querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o País só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas populares. É preciso que o Estado se torne a expressão da sociedade, o que só será possível quando se criarem as condições de livre intervenção do povo nas decisões dos seus rumos. Por isso, o PPS pretende chegar ao governo e à direção do Estado para realizar uma política democrática, do ponto de vista dos populares, tanto no plano econômico quanto no plano social. O PS buscará conquistar a liberdade para que o povo possa construir uma sociedade igualitária, onde não haja mandantes e nem mandados. O PPS manifesta sua solidariedade à luta de todas as massas oprimidas do mundo.
Sofia, 28 de julho de 2005